O ensino da arte na escola brasileira


Primeiramente vamos lembrar o que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº 9.394/96) no seu art. 1º, parágrafo 2º: “A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. Portanto, o ensino deverá ser fundamentado por esse princípio, isto é, com o objetivo de preparar o indivíduo para trabalhar e viver na sociedade em que está inserido. Além disso, a educação tem por finalidade, conforme o art. 2º, “o pleno desenvolvimento do educando”.

Para acessar esta lei na íntegra, veja o site: http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L9394.htm

A obrigatoriedade do ensino de Arte está plenamente de acordo com os objetivos da educação pregados pela lei nacional. Através do ensino de Arte, os educandos podem ter instigadas todas as suas capacidades inteligentes compreendendo uma ampla variedade de domínios, o que nos leva a refletir em uma educação que não seja priorizado somente o  desenvolvimento do pensamento lógico-matemático, mas o indivíduo como um todo.

É possível então nos aprofundar na ideia de educação refletindo sobre a teoria das inteligências múltiplas, de Gardner. Para o autor, o indivíduo possui não apenas uma, mas sete inteligências. São elas:

INTELIGÊNCIA MUSICAL: É uma capacidade específica que se manifesta naturalmente em indivíduos, mas que pode ser desenvolvida por meio da prática e dos estudos musicais.

CORPORAL-CINESTÉSICA:  Refere-se à capacidade de controle dos movimentos corporais. Podemos usar o corpo para expressar um sentimento ou uma emoção como por exemplo na dança,  ou para jogar por exemplo praticando uma atividade desportiva.

LÓGICO-MATEMÁTICA: É a inteligência tradicionalmente considerada e que dá a base para os conhecidos testes de Q.I; aparece com uma “faculdade de resolver problemas”.

LINGUÍSTICA: Relaciona-se ao dom da linguagem, à capacidade de falar e articular idéias pela fala (expressão verbal). ESPACIAL: Refere-se ao domínio e à noção aguçada de espaço, pode ser trabalhada nas artes visuais.

INTERPESSOAL: É o talento e a facilidade que muitas pessoas têm em se relacionar com os outros.

INTRAPESSOAL: É a capacidade de resolver os próprios problemas, de conhecer suas emoções, de desenvolver o auto-conhecimento. Segundo Gardner, para ser comprovada e percebida pelos outros, ela precisa estimular alguma outra inteligência, como, por exemplo, a musical ou a linguística.

“Já parou para refletir em como essa teoria pode mudar as suas convicções sobre o ensino e em como a prática de cada uma das linguagens artísticas podem ter uma fácil compreensão para desenvolver  essas inteligências, com diferentes ênfases, mas sempre proporcionando ao indivíduo o seu desenvolvimento pessoal? Ou ainda, por que a prática artística pode contribuir para desenvolver habilidades e estimular a expressão pessoal, elemento de irrefutável necessidade para o ser humano?” Essas questões precisam ser destacadas, a começar pela arte propriamente dita.



A tarefa de definir arte tem gerado discussões intermináveis, porém sabemos que não  se tem ainda uma definição abrangente e precisa o suficiente.  Arte é uma palavra que costuma ser usada com os mais variados significados: a arte de bem executar qualquer tarefa como a arte de escrever, de falar, etc. A arte de preparar algo ou de dominar alguma técnica como a arte culinária ou a  arte marcial e, até mesmo numa linguagem corriqueira e doméstica, quando dizemos: Essa criança esta fazendo alguma arte”, deixando claro que ela está inventando alguma coisa diferente.

No decorrer dos tempos, a arte ganhou definições muito diversas. uma das mais antigas considerava ser arte uma obra que, produzida pelo ser humano, imitasse alguma coisa. Outra, muito difundida no século XIX, compreendia que obra de arte é aquela que representa e exprime as emoções sentidas pelo artista. Há ainda a teoria com foco no receptor, onde a obra de arte deve provocar emoções em quem a desfruta.

Podemos observar que nenhum desses pontos de vista engloba todos os tipos de arte, o que limita e torna inadequada a própria definição. Essas e outras variadas definições dadas à arte parecem ser sempre incompletas, e não é o nosso objetivo dar continuidade a essas reflexões, que bastariam, só elas, para gerar um livro inteiro. No momento, apenas vamos falar quais artes se refere a nova LDB, quando determina no art.26, parágrafo 2º, que: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de maneira que o desenvolvimento cultural dos alunos se promova”. 

Existem muitas formas de arte nos dias atuais, como, por exemplo, o circo, a ópera, o teatro, a dança, a música, o cinema, a fotografia, o vídeo, a internet, as artes plásticas, a escultura, o design, as artes gráficas, a arquitetura, a literatura etc., portanto é compreensível que à escola não se imponha a tarefa de ensinar todas elas.Cada arte a partir de então,  é estruturada através de códigos particulares, e sua compreensão vem do hábito das pessoas em apreciá-la e dos conhecimentos adquiridos sobre ela. Louis Porcher observa que as pessoas têm uma propensão à cegueira  ou à surdez estética quando não estão familiarizados com a arte.

Então, se o indivíduo jamais escuta música contemporânea e se ele não tem a sua disposição dos meios para conhecê-la, é óbvio que dificilmente poderá compreendê-la e, consequentemente, apreciá-la. Cabe, primeiramente, às instituições de ensino ter a responsabilidade de dar às pessoas os meios de contato e familiarização com a arte e os conhecimentos sobre os diferentes códigos das linguagens artísticas. Graças, em grande parte, às lutas dos professores de Arte, reunidos em associações e instituições organizadas, a partir da década de 1990, e a uma insistente reivindicação ao longo do tempo, o ensino de Arte é hoje obrigatório nas escolas brasileiras e encontra-se agrupado em quatro blocos, que são: – artes visuais;- dança;- teatro;- música. Nesse contexto, conforme sugerido nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a escola pode trabalhar, dentre as quatro linguagens artísticas sugeridas, com as que forem de encontro a suas possibilidades e interesses.

 

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Tati Simões

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Este post tem um comentário

  1. Achei interessante o texto, por é importante entrar na questão do profissional que vai trabalhar nessa área, e como vai. As formações de professores, são especificas na área, teatro, dança musica e artes visuais. Porém poucos locais querem bancar todas as áreas, geralmente contratam um professor e força a trabalhar todas as áreas, generalizando como se fosse tudo uma mesma coisa. Isso no meu intendimento é desrespeitoso, constrangedor e muita vezes, incoerente.
    A luta do Arte Educador ainda é ampla, e se tem que somar com outros setores da educação, para se garantir profissionais específicos, com formações especificas de cada área na função certa.

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