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                    Home»DATAS COMEMORATIVAS»Conto popular africano: A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar
                    DATAS COMEMORATIVAS

                    Conto popular africano: A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar

                    Tati SimõesBy Tati SimõesUpdated:Nenhum comentário6 Mins Read
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                    a lua feiticeira

                     



                     

                     

                     

                     

                     

                     

                    Conto popular africano: A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar

                    Table of Contents

                    • Conto popular africano A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar
                    • Conto popular africano A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar
                    • Contos africanos
                    Leia o conto popular africano “A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar”. Trata-se de uma história com uma forte moral sobre cumprir promessas. Muitas vezes nos comprometemos fazendo promessas que não podemos cumprir.

                    Conto popular africano: A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar

                    A lua tinha uma filha branca e em idade de casar. Um dia apareceu-lhe em casa um monhé pedindo a filha em casamento. A lua perguntou-lhe:
                    ”“ Como pode ser isso, se tu és monhé? Os monhés não comem ratos nem carne de porco e também não apreciam cerveja”¦ Além disso, ela não sabe pilar”¦
                    O monhé respondeu:
                    ”“ Não vejo impedimento porque, embora eu seja monhé, a menina pode continuar a comer ratos e carne de porco e a beber cerveja”¦ Quanto a não saber pilar, isso também não tem importância, pois as minhas irmãs podem fazê-lo.
                    A lua, então, respondeu:
                    ”“ Se é como dizes, podes levar a minha filha que, quanto ao mais, é boa rapariga.
                    O monhé levou consigo a menina. Ao chegar a casa foi ter com a sua mãe e fez-lhe saber que a menina com quem tinha casado comia ratos, carne de porco e bebia cerveja, mas que era necessário deixá-la à-vontade naqueles hábitos. Acrescentou também que ela não sabia pilar, mas que as suas irmãs teriam a paciência de suprir essa falta.
                    Dias depois, o monhé saiu para o mato à caça. Na sua ausência, as irmãs chamaram a rapariga (sua cunhada) para ir pilar com elas para as pedras do rio e esta desatou a chorar.
                    As irmãs censuraram-na:
                    ”“ Então tu pões-te a chorar por te convidarmos a pilar?”¦ Isso não está bem! Tens de aprender porque é trabalho próprio das mulheres.
                    E, sem mais conversas, pegaram-lhe na mão e conduziram-na ao lugar onde costumavam pilar.
                    Quando chegaram ao rio puseram-lhe o pilão na frente, entregaram-lhe um maço e ordenaram que pilasse.
                    A rapariga começou a pilar, mas com uma mágoa tão grande que as lágrimas não paravam de lhe escorrer pela cara. Enquanto pilava ia-se lamentando:
                    ”“ Quando estava em casa da minha mãe não costumava pilar”¦
                    Ao dizer estas palavras, a rapariga, sempre a pilar e juntamente com o pilão, começou a sumir-se pelo chão abaixo, por entre as pedras que, misteriosamente, se afastavam. E foi mergulhando, mergulhando”¦ até desaparecer.
                    Ao verem aquele estranho fenômeno, as irmãs do monhé abandonaram os pilões e foram a correr contar à mãe o que acontecera. Esta ficou assustada com a estranha novidade e tinha o coração apertado de receio quando chegou o monhé, seu filho.
                    Este, ao ouvir o relato do que acontecera à sua mulher, ralhou com as irmãs, censurando-as por não terem cumprido as suas ordens. Apressou-se a ir ter com a lua, sua sogra, para lhe dar conta do desaparecimento da filha.
                    A lua, muito irritada, disse:
                    ”“ A minha filha desapareceu porque não cumpriste o que prometeste. Faz como quiseres, mas a minha filha tem de aparecer!
                    ”“ Mas como posso ir ao encontro dela se desapareceu pelo chão abaixo?
                    A lua mudou, então, de aspecto e, mostrando-se conciliadora, disse:
                    ”“ Bom, vou mandar chamar alguns animais para se fazer um remédio que obrigue a minha filha a voltar”¦ Vai para o lugar onde desapareceu a minha filha e espera lá por mim.
                    O monhé foi-se embora e a lua chamou um criado ordenando:
                    ”“ Chama o javali, a pacala, a gazela, o búfalo e o cágado e diz-lhes que compareçam, sem demora, nas pedras do rio onde desapareceu a minha filha.
                    O criado correu a cumprir as ordens e os animais convidados apressaram-se para chegar ao lugar indicado. A lua também para lá se dirigiu com um cesto de alpista. Quando chegou ao rio, derramou um punhado de alpista numa pedra e ordenou ao porco que moesse.
                    O porco, enquanto moia, cantou:
                    ”“ Eu sou o javali e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!
                    Nesse momento ouviu-se a voz cava da menina que, debaixo do chão, respondia:
                    ”“ Não te conheço!
                    O javali, despeitado, largou a pedra das mãos e afastou-se cabisbaixo. Aproximou-se em seguida a pacala e, enquanto moia, cantou:
                    ”“ Eu sou a pacala e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!
                    Ouviu-se novamente a voz da menina que dizia:
                    ”“ Não te conheço!
                    A gazela e o búfalo ajoelharam também junto do moinho, fazendo a sua invocação, mas a menina deu a ambos a mesma resposta:
                    ”“ Não te conheço!
                    Por último, tomou a pedra o cágado e, enquanto moía, cantou:
                    ”“ Eu sou o cágado e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!
                    A menina cantou, então, em voz terna e melodiosa:
                    ”“ Sim, cágado, à tua voz eu vou aparecer!”¦
                    E, pouco a pouco, a menina começou a surgir por entre as pedras do rio, juntamente com o pilão, mas sem pilar. Quando emergiu completamente parou e ficou silenciosa.
                    Os animais juntaram-se todos, curiosos, à volta da menina.
                    Então, a lua disse:
                    ”“ Agora a minha filha já não pode continuar a ser mulher do monhé pois ele não soube cumprir o que me prometeu. Ela será, daqui para o futuro, mulher do cágado, pois só à sua voz é que ela tornou a aparecer.
                    Então o cágado levantou a voz dizendo:
                    ”“ Estou muito feliz com a menina que acaba de me ser dada em casamento e, como prova da minha satisfação, vou oferecer-lhe um vestido luxuoso que ela vestirá uma só vez, pois durará até ao fim da sua vida.
                    E, dizendo isto, entregou à menina uma carapaça lindamente trabalhada, igual à sua.

                    Da ligação do cágado com a filha da lua é que descendem todos os cágados do mundo”¦

                    Gostou deste conto? Veja outros:

                    Contos africanos

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