Ensino de Arte e Projeto de Trabalho


 Ensino de Arte e Projeto de Trabalho

A partir dos princípios explanados anteriormente e das orientações dos PCN e da BNCC, esta coleção organiza o ensino e o estudo dos diferentes campos da arte por meio da investigação e da participação ativa dos estudantes, ou por meio de Projetos de Trabalho:

 

A prática investigativa constitui o modo de produção e organização dos conhecimentos em Arte. É no percurso do fazer artístico que os alunos criam, experimentam, desenvolvem e perce- bem uma poética pessoal. Os conhecimentos, processos e técnicas produzidos e acumulados ao longo do tempo em Artes visuais, Dança, Música   e Teatro contribuem para a contextualização dos saberes e das práticas artísticas. Eles possibilitam compreender as relações entre tempos e contextos sociais dos sujeitos na sua interação com a arte e a cultura. 6

Um Projeto de Trabalho se vincula à exploração de problemas significativos para os estudantes, mas que, ao mesmo tempo, os aproxima dos saberes escolares. Em outras palavras, um projeto parte de questões consideradas relevantes para os estudantes e também para o desenvolvimento das competências e habilidades específicas da Arte.

Consequentemente, essa questão ou problema tanto pode partir do interesse dos estudantes quanto ser proposto pelo professor  que, por sua vez, deve ter em vista o desenvolvimento dessas competências e habilidades a partir de objetivos, conteúdos e propostas de atividades preestabelecidos.

 

A perspectiva de globalização que se adota na escola, e que se reflete nos Projetos de trabalho, trata de ensinar o aluno a aprender, a encontrar o nexo, a estrutura, o problema que vincula a in- formação e que permite aprender. Finalidade esta que se pode fazer coincidir com os objetivos finais de cada nível educativo.

 

Por isso, em primeiro lugar, é necessário que coordenação, professor e estudantes concordem com a escolha de um problema que sirva de disparador de um projeto que, no caso das aulas de Arte, pode estar relacionado a uma inquietação sobre algum assunto ou tópico do campo das artes ou sobre uma questão técnica, artística, estética ou ética a respeito do trabalho de um artista ou grupo de artistas, e também relacionado a temáticas contemporâneas que mobilizam a reflexão e a crítica sobre quem somos hoje.

Em um projeto, diferentemente de outras modalidades organizativas, o professor medeia a escolha do tema, pois ele é quem deve dirigir o “fio condutor” do trabalho, em diálogo com o Projeto Político-Pedagógico da escola e com o universo cultural dos estudantes:

 

O ponto de partida para a definição de um Projeto de trabalho é a escolha do tema. Em cada nível e etapa da escolaridade, essa escolha adota características diferentes. Os alunos partem de suas experiências anteriores, da informação que têm sobre os Projetos já realizados ou em processo de elaboração por outras classes. Essa informação se torna pública num painel situado na entrada da escola (com isso, as famílias também estão cientes). Dessa forma, o tema pode pertencer ao currículo oficial, proceder de uma experiência comum (como os acampamentos), originar-se de um fato da atualidade, surgir de um problema proposto pela professora ou emergir de uma questão que ficou pendente em outro Projeto.

[…]

O critério de escolha de um tema pela turma não se baseia num “porque gostamos”, e sim em sua relação com os trabalhos e temas precedentes, porque permite estabelecer novas formas de conexão com a informação e a elaboração de hipóteses de trabalho, que guiem a organização da ação. Na Etapa Inicial, uma função primordial do docente é mostrar ao grupo ou fazê-lo descobrir as possibilidades do Projeto proposto (o que se pode conhecer), para superar o sentido de querer conhecer o que já sabem.

 

O professor, como ser autônomo e conhecedor da turma, poderá propor, e abrir espaço para que os

alunos também proponham, vetores de interesse que estejam na mesma direção dos temas geradores pro- postos ao longo da obra ou paralelos a eles.

Definidos o tema e a questão disparadora, tornam-se necessários o estudo sistematizado e a pesquisa, a fim de buscar respostas e soluções para o problema e, também, que as crianças organizem as informações, descobrindo a relação entre elas. Para tanto, é preciso que elas vivam situações de simulação de decisões, estabeleçam relações ou infiram novos problemas.



Por isso, em um projeto não interessa só a localização de respostas, mas, principalmente, entender o significado e a pertinência delas, aplicando-as em vivências diversas presentes em diferentes modos de ensinar e aprender, como aulas expositivas, debates, apresentações, oficinas, trabalhos em grupo e individuais, visitas culturais, etc.

Quando trabalhamos com projetos, é muito importante que os estudantes apresentem sua pesquisa em forma de seminário. Mesmo no trabalho com os estudantes dos três primeiros anos do Ensino Fundamental, é possível e recomendável que eles tenham a oportunidade de apresentar para a turma o que descobriram. O importante é que, aos poucos, eles se acostumem com a divulgação do que pesquisaram, e que essa atividade não fique restrita a um texto que apenas vai ser corrigido pelo professor e devolvido a eles.

Além disso, o aprendizado e a compreensão por parte dos estudantes precisam se dar por meio de atividades diversas que englobam as dimensões do conhecimento artístico, como fruição, leitura de textos e obras de arte, pesquisa, reflexão, crítica, estesia, ex- pressão e criação, mas sempre de modo dialógico e participativo.

Consequentemente, ao longo de um Projeto de Trabalho, os estudantes acabam por produzir diversos e valiosos produtos e instrumentos de avaliação do seu aprendizado, que auxiliam o professor a desvendar o que eles descobriram, que dúvidas surgiram, as dificuldades e os sucessos de cada um, entre outros aspectos. Isso permite que o professor participe ativamente do processo, indicando fontes de pesquisa, avaliando cada etapa do trabalho e mantendo uma postura de participação e envolvimento.

Ao final do projeto, deve acontecer uma produção que sintetize o conhecimento aprendido e exponha para a comunidade escolar esse aprendizado. Esse pro- duto, no caso das aulas de Arte, pode ser a criação e produção de obras de arte e sua exposição/divulgação,

de modo que elas sintetizem o aprendizado e expressem o que os estudantes vivenciaram.

A partir desse primeiro projeto, outros problemas, questões e temas surgirão. Nesse sentido, o professor consegue construir um currículo vivo e interessante, além de integrado às orientações curriculares da escola, da rede de ensino e do Estado.

O Projeto de Trabalho é uma situação de aprendizagem em que os estudantes participam ativamente, pois buscam respostas às suas dúvidas em parceria com o professor, ou de forma coletiva. Em outras palavras, ao participar das diferentes fases e atividades de um projeto, os alunos desenvolvem a consciência de seu próprio processo de aprendizado, ou seja, aprendem a aprender.

Interdisciplinaridade e Projeto de Trabalho

Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (Parecer CNE/CEB no 7/2010 e Resolução CNE/CEB no 4/2010), a interdisciplinaridade

é recomendada no trabalho escolar, pois facilita o exercício da transversalidade, ou o modo de organizar o currículo por meio de temas transversais. A articulação dos conhecimentos é um dos objetivos deste modo de organizar o currículo, pois permite romper com a forma rígida de trabalhar com os conteúdos escolares. Nesse sentido, ao realizar um Projeto de Trabalho,

o professor tem a oportunidade de fazer os estudantes entenderem que determinado conhecimento não é exclusividade de determinada disciplina, isto é, que esse conhecimento transita entre diferentes modos de entender e explicar a vida, e pode, inclusive, fazer par- te de outras disciplinas, o que abre espaço para trabalhos interdisciplinares.

Segundo Fernando Hernández, para realizar projetos interdisciplinares, é importante que o professor integre conteúdos e desenvolva habilidades de vários componentes curriculares em um mesmo projeto, reconhecendo a curiosidade das crianças, estimulando suas questões e as possíveis relações que elas mesmas são capazes de fazer sobre as conexões entre os saberes. Portanto, a organização do currículo por Projetos de Trabalho permite que a interdisciplinaridade entre as linguagens artísticas e entre a Arte e os outros com- ponentes curriculares aconteça, pois eles não se esgotam em seus conteúdos iniciais: os conteúdos dos diferentes componentes curriculares podem e devem ser trabalhados ao mesmo tempo.

 

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